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Amazônia: Terra de todos os povos

Amazônia: Terra de todos os povos

Mais de 300 mil indígenas lutam para manter viva sua história na Amazônia.

No mês de setembro, o Site Cleo tem se dedicado a debater semanalmente sobre a Floresta Amazônica. Na primeira matéria, publicada no Dia da Amazônia (05/09), falamos sobre a Renca, Reserva Nacional do Cobre e Associados, que esteve sob risco de extinção após decreto do Governo no final de Agosto. Ambos os casos, a data comemorativa e o decreto presidencial, estimularam a iniciativa do Site Cleo. Já falamos também sobre a rica diversidade da Floresta, berço da maior biodiversidade tropical do mundo. Agora, na terceira publicação da série, voltamos nosso olhar para outro importante ponto: quem vive nela?

De acordo com os dados mais recentes do IBGE (2010), há na Amazônia cerca de 306 mil habitantes indígenas. Este número, porém, não representa a totalidade de índios que vivem hoje na Amazônia, pois exclui aqueles que encontram-se em regiões isoladas, sem contato externo com a sociedade. Segundo a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), acredita-se que existam pelo menos 100 tribos indígenas isoladas nas profundezas brasileiras da floresta amazônica. É na Floresta onde se encontra a maior parte de toda a população indígena brasileira, que segundo a mesma pesquisa chega ao número de 870 mil pessoas em todo o território nacional. Este número, ainda que grande, representa apenas 0,49% de toda a população brasileira. Confira o documento Brasil Indígena.

Grupo de indígenas no meio da floresta
Foto: Survival Brasil

Os mais de 300 mil habitantes indígenas da Amazônia dividem-se em pelo menos seis grupos linguísticos: Jê, Tupi, Aruak, Karib, Pano e Tukano. Dentro de cada um desses troncos e famílias desdobram-se diversas etnias. Há, ainda, etnias cujas línguas não são classificadas em troncos ou famílias. Nesses está presente o povo Tikuna, residente no Amazonas, com o maior número de falantes únicos e consequentemente a maior população, com um total de 46 mil. E a diversidade continua quando contabilizamos os diferentes idiomas falados: cerca de 180 línguas.

Sendo incontáveis as formas de vida dentro da Amazônia, há várias fontes de estudo que permitem conhecer as tribos e culturas dos índios dessa região. O Instituto Socioambiental é uma referência e produzem um estudo oficial sobre a População Indígena Brasileira. O portal reúne informações de etnias de todo o país, incluindo as que vivem na Amazônia, como do povo Deni, que possui cerca de 1.600 habitantes na parte da Amazônia que cobre o Amapá. Esse povo tem como principal atividade a caça, e por isso vive cerca de 5 anos numa mesma aldeia, quando passam a viajar em busca de lugares com mais oportunidades de caça.

A sudoeste da Amazônia estão os povos Nawa, termo que corresponde à autodesignação de muitas sociedades de língua Pano, mas agora reivindicada como identidade oficial de mais de 500 indígenas que habitam o Parque Nacional da Serra do Divisor. Falantes do Karib, os índios Arara já foram considerados extintos nos anos 40, mas hoje somam 400 habitantes no Pará. Ao longo de sua história, tiveram que modificar sua forma de vida devido ao avanço dos homens brancos. Com a construção da rodovia Transamazônica, no início dos anos 70, que passou por cima de aldeias e colheitas, passaram a viver reunidos em locais pontuais. Antes, a característica de sua sociedade eram tribos independentes politicamente, que vivam distantes, e se encontravam apenas para rituais e comercio. Nas terras indígenas do Alto Rio Negro, noroeste Amazônico, estão os Koripako, falantes do Aruak. Com mais de 1.600 habitantes, tal etnia é reconhecida pela produção e comércio de cestos de arumã, uma técnica milenar. Participam ativamente de trocar com outras tribos e estendem-se pela Venezuela e Colômbia.

Índio Wajãpi, na floresta.
Foto: El País

Falantes do Tupi, o povo Wajapi é um dos povos que vivem na Amazônia e estieve em pauta nacional recentemente: os Wajãpi vivem em parte dentro da região da Renca. São 6.000 quilômetros, dentro do que conhecemos hoje como Estado do Amapá, que compõem a terra dessa etnia. São cerca de 1.300 índios wajãpi que vivem na região. Metade dessa terra, demarcada apenas em 1996, é tomada pela Renca. A história dessa etnia, porém, é de resistência constante. Como aponta estudo do Instituto Socioambiental, “os últimos 250 anos corresponde à expansão desse povo rumo ao norte, desde sua origem no baixo rio Xingu até sua instalação na área que ocupam hoje”, tendo nos anos 80 eles próprios desenvolvido ações para expulsar exploradores de sua terra.

Em contracorrente às extensas invasões e ocupações de terras indígenas ao longo da história, um marco iminente à maioria das etnias que vivem no Brasil, há diversas organizações que se unem em esforços de proteção às culturas milenares que tentam sobreviver na Floresta Amazônica e outras terras ao longo do país. A Articulação dos Povos Indígenas é uma iniciativa de diversas organizações regionais em criar uma teia de atuação a nível nacional, pressionando governos estaduais e federal para temas como saúde, preservação de cultura e a demarcação de terras indígenas. Com a Mobilização Nacional Indígena, produziram a campanha #DemarcaçãoJá.

A Survival é a principal organização internacional que atua exclusivamente em prol da proteção da vida indígena a nível mundial. Ela atua com campanhas de proteção a indígenas isolados, conservação indígena e denúncia de roubo de terras. Conheça o trabalho da Survival aqui. O Instituto SocioAmbiental também produz uma série de campanhas e redes de ajuda em prol de diversos temas de proteção à vida indígena, reflorestamento de terras, proteção de águas e incentivo à pesquisa. É deles também a campanha #MenosPreconceitoMaisIndio. A iniciativa é combater o preconceito e sensibilizar para a riqueza da cultura indígena. Algo que precisamos urgente.

Conheça iniciativas de proteção à Floresta Amazônica:

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