Atitude

A saga das mulheres fortes

Cleo mostra sua potência ao interpretar Ana Terra em O Tempo e o Vento

No filme O Tempo e o Vento, Cleo é Ana Terra, uma jovem do campo que se apaixona por um índio, romance proibido para a época. Mas a personagem vai muito além de uma heroína romântica, aliás, fica longe de uma mocinha, a perspectiva da personagem se desenha como uma mulher forte, decidida e apaixonada. Talvez tenha sido este um dos personagens mais marcantes da Cleo, a feminilidade unida a força cria uma Ana Terra única, uma mulher à frente do seu tempo. Em entrevista a um jornal gaúcho Cleo reafirmava sua admiração por Ana.

“Ela é uma força da natureza. Parece que sabe tudo o que pode acontecer para quem está na posição social dela, mas encontra forças para ir levando a vida, crescendo e dando continuidade ao seu legado. Ela tem seu filho (Pedro Terra) em meio àquele contexto (o pai do garoto, o índio mestiço Pedro Missioneiro, é morto pelo pai de Ana Terra por ter “desonrado a família” ao ter um caso ela) e, mesmo assim, supera toda a opressão. Acho isso apaixonante nela”, Cleo.

Ana Terra deitada entre pedras sob o índio
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As mulheres na obra O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, escritor gaúcho, tem importância tão grande quanto os personagens masculinos ao relatar a longa jornada das famílias Terra e Cambará e a formação do estado do Rio grande do Sul ao longo de 200 anos. Transportado para o cinema em 2013 sob a direção de Jayme Monjardim, o filme O tempo e o Vento, condensa os três romances de Veríssimo, tendo como narradora Bibiana Terra Cambará, vivida por Fernanda Montenegro e Marjorie Estiano.

Ana Terra e sua mãe
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Em 1985 a TV Globo fez uma versão da obra e Glória Pires fez Ana Terra, muito tempo depois Jayme entrou em contato com Cleo para que fizesse a personagem, obteve um não como resposta. Depois de várias tentativas, finalmente um sim. Cleo decidira dar vida a Ana Terra na nova versão cinematográfica.

“Vi a minissérie quando era muito nova, tinha três anos de idade. Para mim, foi muito difícil ver minha mãe sofrendo tanto quanto a personagem sofre na trama. Mesmo que depois eu entendesse que era um trabalho de atriz, foi difícil superar isso. Quando o convite do filme chegou, de início eu o rejeitei. Não queria saber de algo que havia me feito tão mal. Mas o Jayme (Monjardim) insistiu tanto que fui obrigada a refletir. E, quando li o roteiro, percebi que Ana Terra era uma mulher maravilhosa e que eu deveria fazê-la independentemente daquele embrulho emocional que eu tinha”, Cleo.

Cleo como Ana Terra
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A proximidade com o universo gaúcho

A personagem trouxe Cleo mais pra perto do universo Gaúcho, durante as gravações ela podia ser vista tomando chimarrão, bebida típica do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina. O encontro com a cultura e os dias no sul refletiram na criação da personagem. De 2013 pra hoje Cleo tem apresentado outras mulheres fortes na tela dos cinemas. Por escolha ou não sua figura única tem servido muito bem para representar a feminilidade com suas nuances delicadas, sem abrir mão da força que emerge do feminino.

Cleo tomando chimarrão em intervalo

Outras obras de cinema e TV baseadas no universo gaúcho retratam as mulheres como personagens importantes, dando destaque a energia criadora delas, seja em A Casa das Sete Mulheres (Jayme Monjardim/ 2003), A Intrusa (Carlos Hugo Christensen/1979), O Quatrilho (Fábio Barreto/ 1995), e diversas outras. Pode-se esperar mais uma personagem forte da Cleo em uma obra que envolve o Rio Grande do Sul, em Legalidade (José Henrique Ligabue/ 2017), filmado esse ano no sul, ela aparece como a jornalista Cecília, uma das personagens centrais da trama que é ambientada no período de 1961, quando Brizola liderava o movimento pela Legalidade. O filme tem previsão de estreia para 2018.

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