Estilo

Moda e Fetiche

Um universo particular a ser explorado com liberdade, a moda e o fetiche se retroalimentam.

Cleo Fetiche por Andre Schiliro
André Schiliró

Moda, apesar de um espelho da nossa realidade, também serve como ferramenta para escapismos, sonhos e fantasias. O fetiche na moda, vem em função de expressar um desejo íntimo através da roupa. Está ligado a alguma forma de poder e extremamente conectado a algum objeto e a ao sentido de proibido. A Valerie Steele, autora de “Fetiche” explica que o imaginário de moda e fetichismo está baseada em produtos de luxo que transformam roupas e acessórios em objetos de desejo. Ter uma peça caríssima é uma espécie de fetiche contemporâneo. Poder+Objeto+Proibido é uma fórmula bastante usada na moda.

O fetichismo da mercadoria é uma expressão atribuída a Karl Marx, sendo um conceito central e crucial do sistema econômico criado pelo filósofo e economista alemão. Marx indica que graças a esse fenômeno psicológico e social, os produtos parecem ganhar vontade própria, e deixam de ser meros objetos e passam a ser alvo de adoração pelo ser humano. Desta forma, os indivíduos se comportam como objetos e os objetos se comportam como pessoas.

Mulher com Cela - Helmut Newton
Reprodução da Internet

No âmbito da psicologia, o fetiche tem conotação sexual, representando um comportamento específico que encontra prazer em certas atividades, objetos ou partes do corpo. Um fetiches mais comuns é o fetiche por pés, conhecido como podolatria. Em sentido figurado, o fetiche pode representar uma pessoa admirada por outra, que é seguida e cujas ordens são obedecidas cegamente.

Se o fetiche vem do desejo pelo objeto misterioso e o que ele pode trazer de prazer, variando de pessoa por pessoa, a indústria cultural soube bem se apropriar disso para tornar o fetiche algo como um estilo de vida. Ser fetichista não quer dizer que você necessariamente quer ser amarrado, pisoteado por um salto alto, dominado ou outros desejos ainda mais esquisitos, pode basicamente sentir-se atraído por esse universo lúdico.

Betty Page em foto de Helmut Newton
Reprodução da Internet

No cinema e na música a moda influencia muito e o fetiche vem colado com essa construção, sapatos de salto alto, vestidos sexys, peças icônicas, sensualidade, desejos, jogos, tudo isso sintetizado em figurinos e construções de imagens. A primeira moda fetichista que alcançou aceitação popular foi a chamada bota bizarra, até então associada a prostitutas, especialmente dominadoras. Essas botas de couro e salto alto, lançadas em 1965, podiam ser da altura dos joelhos ou até das coxas, e eram frequentemente abotoadas ou amarradas. 

Nessa época, as roupas masculinas também se tornaram mais eróticas, e o rock and roll contribuiu bastante para isso. A maioria dos cantores de rock, visíveis ditadores de tendências, usavam roupas de couro coladas à pele, além de tatuagens e acessórios de couro. Nesse cenário, também cabe lembrar dos punks que, impulsionados por bandas como Sex Pistols, incorporaram à moda vários objetos ofensivos ou ameaçadores, como coleiras e correntes. As mulheres punks, principalmente, tiraram do armário meias arrastão, saltos agulha e capas de borracha. 

Sex Pistols
Reprodução da Internet

Mas foram nos anos 70 em particular que a revolução sexual tornou-se um fenômeno de massa. Nesse momento, a censura enfraqueceu e a comercialização do sexo e sua consequente transformação em mercadoria se acelerou. Botas bizarras e espartilhos, por exemplo, eram vendidos em lojas de departamentos a um preço irrisório. É desse período também o fetichismo chique, criado pelo fotógrafo alemão Helmut Newton.

O fetichismo só se tornou uma referência para a moda internacional na década de 90, pontualmente em 1992, com a coleção de “amarrados” apresentada por Versace. Gaultier já havia feito incursões neste mundo, quando recuperou os espartilhos – esquecidos desde o começo do século 20 – com sua célebre peça rosa criada para Madonna, que a cantora usou em sua turnê europeia “Blonde Ambition”.

Essa tendência ao fetiche e a seu repertório visual extremamente característico se cristalizou na forma de um revival do estilo Emma Peel, que pode ser percebido no filme “Batman – O Retorno”, em que Michelle Pfeiffer usa uma “catsuit” de borracha colada à pele, fazendo referência a uma mulher dominadora. Os clubbers, extremamente receptivos à moda, também incorporaram rapidamente essas peças no seu visual moderno, assim como o mundo gay.

Madonna Corset Cone por Jean Paul Gaultier
Reprodução da Internet

Para composição do editorial Dark Fetish para o site Dudu Bertholini buscou referências diretas nesse universo para compor o visual fetichista da Cleo. Helmut Newton entra como principal referência, perucas, salto alto, couro, vinil, perucas e claro a própria Cleo com sua sensualidade natural emprestaram ao editorial toda gama de sexualidade, voyeurismo e fetiche. Confere o vídeo do Dudu falando um pouco dobre a construção de tudo isso.

Inscreva-se na Newsletter do site da Cleo