Atitude

O impacto das imagens de Otto Stupakoff

Obras do fotógrafo em exposição no Instituto Moreira Salles no Rio

Passear pelas instalações do IMS – Instituto Moreira Salles é sempre interessante, seja para tomar um café, apreciar o espaço repleto de nuances ou curtir as exposições e imagens impressionantes. Em meio a reunião de trabalho e bate papo Cleo passou pela exposição de Otto Stupakoff, um dos fotógrafos brasileiros de maior projeção internacional. O paulistano teve sua obra completa adquirida pelo IMS em 2008.

O fotógrafo passou a maior parte da carreira em Nova York e Paris, sendo reconhecido como fotógrafo de moda e retratista de celebridades internacionais da área das artes e da política, produzidas para revistas como Bazaar, Life, Esquire, Glamour, Look e Vogue. Além delas Otto produziu imagens menos conhecidas, como nus, retratos de pessoas desconhecidas, instantâneos de rua, fotografias de viagens e experimentações abstracionistas.

Cleo na Exposição | O impacto das imagens

Os retratos deixados pelo fotógrafo são de personalidades internacionais como Richard Nixon, Yves Saint-Laurent, Coco Chanel, Grace Kelly e sua filha Stéphanie, Jack Nicholson, Robert Redford, Bette Davis, Sharon Tate, Sophia Loren, Truman Capote, Harold Pinter, Tom Stoppard e Michael Jordan. E as celebridades brasileiras, Pelé, Jorge Amado, Pierre Verger, Tom Jobim, Heitor dos Prazeres, Dorival Caymmi e Xuxa.

O fotógrafo por trás da câmera

Começou a fotografar na infância, com uma câmera que ganhou de presente do pai em 1943. Interessado em cinema, chegou a dirigir quando adolescente um curta-metragem em 8 mm. Aos 17 anos, ingressou na Art Center School, hoje Art Center College of Design, em Los Angeles, Califórnia, onde estudou de 1953 a 1955. Descontraído e comunicativo, ficou amigo de Carmen Miranda e visitou na pequena cidade californiana de Carmel o fotógrafo Edward Weston, nome lendário da fotografia americana.

Retornou ao Brasil e projetou seu estudo na capital gaúcha, Porto Alegre, onde vivia seu pai. Fotografou e ao mostrar as imagens a Oscar Niemeyer foi convidado pelo arquiteto para que documentasse suas obras em Minas Gerais e, mais tarde, em Brasília. O primeiro estúdio de Stupakoff deixava claras suas intenções profissionais: era voltado para a fotografia em preto e branco de grande formato, estilo cultivado pelos grandes nomes da fotografia americana dos anos 1930 e 1940.

Otto Stupakoff | O impacto das imagens
Otto Stupakoff
Reprodução da Internet

Em 1956, morando no Rio de Janeiro, ele fez seus primeiros trabalhos para agências de publicidade e para a gravadora Odeon. De volta a São Paulo no ano seguinte, deu prosseguimento à sua carreira em publicidade, ensaiou os primeiros passos no mundo da fotografia de moda para a revista Claudia, da editora Abril, e manteve um relacionamento intenso com a cena artística local, principalmente com seu amigo Wesley Duke Lee. Em 1965, trocou São Paulo por Nova York e conseguiu imediatamente um contrato para trabalhar na Harper’s Bazaar.

Transferiu-se para Paris em 1973 onde fotografou para a Vogue francesa, Elle, Marie Claire e Stern, entre outras publicações. De volta ao Brasil, em 1977, decepcionou-se com a relutância de revistas e agências de publicidade em lhe encomendar trabalhos, o que o levou a radicar-se mais uma vez em Nova York a partir de 1981 e só retornar definitivamente a São Paulo em 2005, quando foi homenageado com a mostra Moda sem fronteiras, realizada durante o evento de moda São Paulo Fashion Week.

Exposição Otto Stupakoff: beleza e inquietude
Curadoria: Bob Wolfenson e Sergio Burgi,
Local: Instituto Moreira Salles – Rua Marquês de São Vicente, 476 – Gávea (RJ)
Data: de terça a domingo – até 16 de abril
Horário: das 11h às 22h
Entrada Gratuita.

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