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Amazônia: Lugar de disputas

Amazônia: Lugar de disputas

Anulação da Renca é definitivamente revogada, mas defesa à Amazônia não pode parar.

O final de Agosto foi marcado pelo tema da sustentabilidade e com a volta de um antigo fantasma: o desmatamento na Amazônia. Claro que o tema é infeliz realidade há anos, e que diversas organizações empenham-se cada vez mais na proteção das terras da maior floresta tropical do mundo. O fato é que, com a tentativa do Governo em anular a Renca, Reserva Nacional do Cobre e Associados, para exploração por parte de iniciativa privada fez com que a discussão em torno das terras amazônicas voltassem a estampar as páginas dos principais veículos de comunicação do país. O problema, porém, não tem seu fim.

Só no último mês de agosto, como aponta os dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), foram quase 200 quilômetros quadrados de desmatamento (quando a floresta é completamente derrubada) na área que compreende a Amazônia Legal. Já a área onde as florestas encontram-se degradadas (quando há cortes seletivos de madeira ou focos de incêndio) é de 391 quilômetros, área maior que a de Guarulhos, segunda cidade mais populosa do Estado de São Paulo, perdendo apenas para a capital.

Amazônia: Lugar de disputas
Reprodução Internet

O desmatamento é a primeira bandeira de luta quando se pensa a preservação das florestas brasileiras, mas há outra forma de aniquilação que pode ser tão agravante quanto: a degradação. Ainda que não seja a derrubada completa das florestas, como o desmatamento, estudo da organização Rede Amazônia Sustentável (RAS) aponta que o impacto da degradação às plantas e animais é tão nocivo quanto, principalmente por não ser de fácil identificação via satélites. A pesquisa, comandada por um grupo de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, analisou o impacto desse tipo de perturbação à biodiversidade de florestas no Pará. O resultado preocupa: na região, os danos às aves, insetos e árvores ocorridos em um ano correspondem ao mesmo dano de 10 anos de desmatamento.

“Nós já sabíamos que muitas espécies são perdidas com o desmatamento. A gente tinha uma ideia de que, com a degradação, também há perdas de espécies. A grande novidade do estudo é que agora nós quantificamos o dano que a degradação causa”, diz Joice Ferreira, pesquisadora de ecologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e uma das autoras do estudo, à revista Época.

A ameaça por trás desse tipo de dano é que queimadas e poda pontuais de árvores não influenciam a paisagem quando vistas de cima. Apenas mata adentro é possível identificar áreas de degradação, com menores espécies de plantas, árvores que não alcançam total crescimento, além da fuga de espécies de animais: uma ameaça quase invisível que os movimentos lutam por identificar. No site da Rede Amazônia Sustentável é possível acessar todas as pesquisas e projetos do instituto, como a websérie “Slash & Burn”, parte da pesquisa “Dimensões humanas dos incêndios florestais: vinculação da pesquisa e educação ambiental para reduzir os incêndios florestais da Amazônia”.

Outros temas preocupam ambientalistas pois contribuem com o desmatamento, como o agronegócio e os garimpos ilegais, que na Terra Yanomami (Roraima) ocupava área de 1,5 quilômetros e movimentava cerca de R$ 32 milhões por mês com extração ilegal de ouro. Uma das iniciativas que contribuem para esse monitoramento é o portal ImazonGeo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. Por ele é possível acompanhar toda a região da Amazônia por satélite, conferir as áreas de proteção ambiental, assim como as terras indígenas, e ainda ter acesso às pesquisas do instituto quanto a desmatamento e atividades ilegais nessas regiões. Confira aqui.

O Greenpeace, também, encabeça um Projeto de Lei (Sugestão 34/15), por meio do Wikilegis, uma plataforma da Câmara dos Deputados que permite a participação popular na elaboração de leis. Atualmente, a proposta aguarda parecer do Relator na Comissão de Legislação Participativa (CLP), mas você pode apoiar iniciativa através do portal oficial.

Outras campanhas relacionadas às iniciativas de proteção das florestas, da biodiversidade da Amazônia e das reservas e povos indígenas que vivem nessa região estão listadas ao longo das outras matérias que o Site Cleo publicou ao longo desse mês de setembro, nossa pequena contribuição nessa luta.

#Todospelamazônia

Conheça iniciativas de proteção à Floresta Amazônica:

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