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Amazônia: Berço de riquezas

Amazônia: Berço de riquezas

Dedicamos o mês de setembro a falar da Amazônia, lugar que reúne não só beleza, mas muita vida.

Com quase 7 milhões de quilômetros quadrados, distribuídos entre 9 países, a Amazônia é o maior berço de animais, plantas e bacias hídricas do mundo. Não há outro lugar que contemple uma reserva de biodiversidade maior do que a Floresta Amazônica. O Brasil contempla a maior parte desse território (aproximadamente 5 milhões de quilômetros quadrados), onde são encontrados aproximadamente 30 mil espécies de plantas endêmicas (ou seja, que existem apenas nesta região do globo), o que corresponde a 10% de todas as espécies conhecidas no mundo. Apesar da porcentagem expressiva, a expectativa é de que esse número seja muito maior, pois grande parte dessa biodiversidade permanece desconhecida. Ainda, acumula mais de cinco mil espécies de árvores catalogadas, quase oito vezes mais do que o número de árvores de toda a América do Norte, que reúne 650 em sua diversidade. Na Amazônia, são entre 40 e 300 espécies diferentes por hectare, enquanto na América do Norte varia entre 4 a 25.

Floresta da Amazônia, em região próxima a Manaus
Região próxima a Manaus.
Foto: Reprodução Internet

Sua biodiversidade é incontestável. Segundo relatório mais recente do World Wide Fund for Nature (“Fundo Mundial para a Natureza”), apenas entre os anos de 2014 e 2015 foram descobertas mais de 300 espécies de plantas e animais vertebrados. O documento, produzido pela WWF-Brasil em parceria com o Instituto Mamirauá – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), relata 216 novas espécies de plantas; 93 de peixes; 32 de anfíbios; 19 de répteis; uma ave; 18 mamíferos; e dois mamíferos fósseis. Esses números indicam que no período de dois anos, cerca de 1 nova espécie foi descoberta na Amazônia a cada dois dias.

Esse crescimento no número de seres vivos na Amazônia foi o maior registrado pelo relatório, que está em sua terceira edição. O primeiro, que coletou as espécies descobertas entre 1999 e 2009, apontava descobrimento de 1 ser vivo a cada três dias. No total, cerca de 1.200 novas espécies foram listadas nesse período. Já entre 2010 e 2013, a taxa média de descobertas foi de 1 nova espécie a cada 2 dias e meio. No total, 602 series descobertos. No geral, a WWF aponta que foram mais de 2 mil novas espécies descritas nos últimos 17 anos, sendo quase 20% deste número descobertos entre 2014-2015. O rápido avanço representa a importância no incentivo às pesquisas na região, e uma pequena amostra de como a biodiversidade da Amazônia ainda é um grande mistério.

A Conservation International (Conservação Internacional) é outra organização que atua com estudos sobre a Amazônia. Eles desenvolveram uma subdivisão da floresta em três zonas:

Zona Verde: Os aproximadamente 45% da Amazônia que é composta de floresta formalmente designada como áreas protegidas ou terras e territórios indígenas.
Zona Amarela: estima-se que 46% da Amazônia atualmente é principalmente florestal, para o qual o uso (ou proteção) não foi formalmente definido.
Zona Vermelha: Os restantes 9% da Amazônia já foram convertidos em agricultura, desenvolvidos em cidades ou degradados para atender à procura de alimentos, casas, energia e empregos.

Mapa da Divisão da Floresta Amazônica em Zonas
Imagem: Organização Conservação Internacional

É na Zona Verde onde se encontra a Renca (relembre nosso post sobre ela aqui), diversas outras reservas e onde também vivem as comunidades indígenas. Apesar de territórios de proteção, cerca de 3% da floresta já se perdeu para o desmatamento. A Zona Amarela, como aponta a CI, é a região de maior risco, pois engloba áreas ainda desconhecidas e que não se encontram sob proteção. Por um lado, é uma região cheia de riquezas biológicas, mas também caminho aberto para desmatamento. A Zona Vermelha é onde as florestas da Amazônia já foram perdidas ou fortemente degradadas, tendo como maior impacto a extração mineral – um dos principais impulsionadores do desmatamento. É um local de muita resistência por parte das organizações não governamentais, pois ainda assim acumula muitas espécies.

Uma das principais bandeiras de luta dentro da Floresta Amazônica é a preservação principalmente das espécies endêmicas, pois não são encontraras em nenhum outro ponto do planeta. E os números referentes a este tipo de espécie impressionam. De acordo com a pesquisa da CI com 36 especialistas, que resultou no livro Wildeness, ainda no começo dos anos 2.000 eram 173 o número de mamíferos que existiam apenas na Amazônia, quase 50% do total da espécies na região. Das mais de mil espécies de aves já catalogadas na Amazônia, as endêmicas ultrapassam 260. Dos répteis, 378 endêmicos se dividem entre lagartos, serpentes, tartarugas e jacarés. Até a publicação, o total de espécies de anfíbios era 427, sendo 364 exclusivas da Floresta.

Outros animais de enorme proteção são os que estão sob perigos de extinção: cerca de 50 deles incluem o Peixe-Boi, Arara Vermelha, Tucano de Bico Preto, Onça Pintada, Parda, Macaco Aranha, Prego, além do Tamanduá-Bandeira, entre outros.

A extrema diversidade é a maior riqueza natural do nosso país. É dela metade das florestas tropicais remanescentes no planeta e a maior biodiversidade em uma floresta tropical no mundo. A região foi considerada como Patrimônio da Humanidade pela ONU (Organizações das Nações Unidas) em 2003, e ainda assim sofre com desmatamento. Precisamos lembrar que a Floresta não precisa de nós. Mas nós dependemos dela.

Conheça iniciativas de proteção à Floresta Amazônica:

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